QUANDO AS IMAGENS FLUEM NA MONTAGEM


Juntar uma imagem a outra não é edição. É preciso que elas se liguem umas as outras sem que sejam percebidam na construção do discurso visual. A edição nasce na decupagem do filme. É quando o diretor pensa na forma que contará a sua história em planos. Mas não basta decupar bem. É preciso filmar bem esses planos. Os planos são como letras, não existem sozinhos em uma palavra ou frase. Eles se juntam uns aos outros para formarem frases narrativas visuais. Com um sentido lógico. Que fluam e mantenham o espectador participativo, acreditando e se emocionando com o que vêem. Para que essas imagens realmente fluam e não percebamos que foram filmadas uma a uma (plano a plano), devem conter algumas particularidades.Primeiramente, uma dinâmica interna no próprio plano que nada mais é do que “marcas” e movimentações dos atores no interior do plano. Num ritmo idêntico ao plano anterior e posterior ao filmado. Mantendo a direção lógica dos deslocamentos que facilite a compreensão por parte do espectador do espaço onde se passam as ações da cena. O tempo é o segundo elemento mais importante para manter a qualidade e a fluidez do discurso. Como numa partitura musical a narrativa de uma sequência está subordinada a um andamento. E num compasso de um andamento cabe uma quantidade de planos ou um plano com uma determinada duração que mantem o ritmo narrativo adequado. Vejamos por exemplo. Uma música que toca no andamento quaternário (4/4), em cada compasso cabem quatro notas de 1 tempo ou uma semibreve de 4 tempos. Ou seja, a musica não pode “atravessar”, sair do andamento, tal qual na montagem. Daí a necessidade do tempo certo de cada plano. E o conjunto de planos de um fraseado narrativo visual também não pode sair fora do andamento. Desanda a narrativa. A ligação de um plano a outro pode também se valer da dinâmica externa de um plano que é o movimento de câmera enquanto filmamos um determinado plano. Empregando um equipamento de maquinaria: um travelling, uma grua, um stedicam ou mesmo a câmera na mão. Os movimentos podem dar um carácter descritivo ao plano, pontuativo ou exclamativo. Provocar uma chamada de atenção para o espectador, criar uma sensação de afastamento, de acompanhamento e isolamento, dependendo das condições da cena e o que ela se propõe. O tamanho do plano e o seu posicionamento podem acrescentar sensações aos planos ou o conjunto de planos de um fraseado. A variação de tamanhos de planos em qualquer cena narrada em vários planos diferentes provoca por si só um ritmo. Para que um discurso visual flua é preciso antes de mais nada ritmo. Na etapa da edição novos elementos podem colaborar na construção do ritmo narrativo: os sons pontuativos, a música, a narrativa of, os silêncios, os diálogos, os efeitos visuais, as figuras pontuativas, o trabalho de coloração das imagens (after color).
Jorge Monclar – Diretor de Fotografia






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