O USO DRAMÁTICO DAS LENTES FIXAS


Cada lente e cada enquadramento é um olhar do personagem. O espectador olha pelos olhos do personagem. Esses vários olhares (planos) se interligam compondo um discurso visual e coerente. No discurso audiovisual cada plano está ligado ao anterior e ao próximo. Não existem planos isolados como uma fotografia fixa. O discurso é construído de forma fracionada, fora de ordem, mas será na montagem ordenado, lógico, coerente, ritmado e, sobretudo compreensível e emocionante. Mas com que instrumentos realizamos esses “olhares”? Com que lentes? Com que câmeras? As novas câmeras de filmagem ou gravação de imagens audiovisuais tornaram-se nos últimos anos: mais leves, com melhores performances em vários aspectos e os seus suportes de imagens de melhor qualidade substituíram gradativamente as câmeras cinematográficas, sobretudo as de 16 mm. A facilidade de captar áudio completou as aspirações dos cineastas independentes na realização de seus clipes, documentários e filmes de ficção. Com uma equipe reduzida e baixo orçamento tornou-se possível realizar obras de qualidade a serem exibidas em novas e variadas mídias ou plataformas como: a internet, as emissoras de TV a cabo, salas alternativas de exibição e num futuro quase que imediato, em todos os telefones móveis. Esses videomakers e cineastas começam a constatar que é possível usar lentes fixas de melhor qualidade em suas câmeras digitais, seja qual for o formato: em uma Ex3, F3 e até mesmo nas máquinas fotográficas que filmam: Canon 5 D ou 7 D. Porém, não se trata apenas de saber operar o foco ou aprender usar o follow focus. É preciso saber quando, como e porque se emprega determinada lente em certos enquadramentos, se desejamos obter o resultado dramático procurado. E, se conseguimos dizer visualmente com precisão o que pensamos. Daí empregar a lente certa associada a quadro fixo ou em movimento corretamente. As câmeras atuais, em sua grande maioria, vem com uma lente de focal variável (uma zoom), onde no seu interior dispõe de uma ampla gama de lentes (ou enquadramento) possíveis. E, determinados modelos de câmera tem a possibilidade de trocar as lentes. São as câmeras de torre PL, intercambiável. O operador de câmera pode empregar um anel adaptador ou a própria câmera já vir de fábrica com uma torre que receba variadas marcas de lentes de focal fixa, de diferentes marcas e milimetragem. É esse novo dado técnico que vai contribuir para uma melhora considerável na sua maneira de filmar e obter um material que irá surtir resultados na edição final das imagens. Hoje no mercado, uma zoom também varia o seu conjunto de milimetragem. Você pode ter uma lente zoom que vai de 10 mm a 68 mm, uma 10 a 100 milímetros, 12 a 120 mm ou uma 25 a 250 mm. Cada fabricante de câmera apresenta um tipo de zoom para o seu equipamento. Mas o que interessa é saber sobre o emprego das lentes de focal fixa: as grandes angulares 9.8 mm, 18.0 mm, 25 mm,32 mm, 40mm, 50mm 75 mm, 90 mm, 100 mm e as teleobjetivas: 120mm, 150mm, 200mm, 300 mm, 500mm, 600mm, 900mm, 1.000mm e as lentes especiais como a macro. Vários são os fabricantes de lentes de focal fixa de altíssima qualidade, tais como: Primus (empregadas nas câmeras profissionais Panavision), Cooke, Leica, Canon, Zeiss, Angenieux. As lentes de focais variáveis(conhecidas como zoom) não apresentam a mesma qualidade do que as focais fixas, por causa dos inúmeros elementos óticos no interior desta lente(zoom). A sua imagem terá de atravessar vários elementos óticos até se fixar no seu cartão, fita ou filme. As focais fixas ganham em luminosidade, profundidade de foco e maior definição das áreas de baixas luzes dentro do seu quadro. Compreendido o exposto vamos ao que interessa: o que cada câmera pode me dar como resultado dramático? As lentes tentam imitar o olhar humano. A sua abertura de enquadramento. Imaginemos que uma pessoa quando observa uma paisagem, um determinado espaço em um ambiente ou caminha na rua “enquadra” o seu olhar num plano geral. Com uma angulação de aproximadamente 170 a 160 graus com grande profundidade de foco. No caso de desejarmos mostrar esse espaço do ponto de vista do olhar humano, a câmera deverá estar armada no tripé na altura dos olhos do personagem, deveremos tentar obter esse tipo de angulação do enquadramento com uma lente 25 mm, que corresponde ao olhar natural de uma pessoal. A lente 25 mm tem como o olho humano uma profundidade de foco bastante razoável, cerca de cinco a dez metros dependendo da luz ambiente. Por ser uma milimetragem bem aberta, a câmera, quando empregada na mão, não percebemos sua trepidação. E, no tripé, torna-se então ainda mais imperceptível o deslocamento e a trepidação desaparece. É uma lente recomendável para Planos Gerais, para filmar cenas de ação, de deslocamento em travelling, gruas e steadycam. O que devemos valorizar são as composições e dinâmicas internas no quadro para ajudar a fazer a leitura da perspectiva, da terceira dimensão. Componha o quadro com elementos em vários planos na profundidade e não se esqueça do primeiro plano, ele ajuda a compor e aumentar a profundidade do enquadramento. O nosso olhar também troca de lentes durante a observação de um espaço ou algo que aconteça nele. Quando entramos num ambiente selecionamos coisas, pessoas e movimentações neste espaço. Então, estaremos por exemplo empregando “outras lentes” neste olhar seletivo. Poderemos estar olhando partes do espaço em que nos deslocamos, enquadrando em Plano Médio (empregando uma lente 50 mm) ou Planos de Detalhe e Close Ups (empregando uma lente 75 ou 100 mm). Nos close Ups, podemos trabalhar com a profundidade reduzida, obrigando o espectador a concentrar-se no rosto de quem está enquadrado, apagando a imagem de quem está atrás ou próximo do personagem que desejamos dar ênfase. Nesse caso, trocamos a lente 75 mm por uma 100 ou 120 mm para executar o close up. Nos enquadramentos em planos abertos, devemos evitar a frontalidade do cenário. Ele no visual ficará achatado, pouco profundo, com pouca perspectiva. Quando pretendemos aumentar a profundidade do espaço, buscamos posicionar a câmera na diagonal da cena aumentando a perspectiva e a terceira dimensão. Caso haja necessidade de enquadrar frontalmente, procure elevar a câmera posicionando mais alto do que o olhar normal, deixando a câmera ligeiramente em plongée(de cima para baixo),criando com isso um ponto de fuga no quadro. Voltaremos a falar sobre isso mais adiante, aprofundando o conteúdo sobre o assunto.

Jorge Monclar – Diretor de Fotografia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 






NOSSAS REDES

  • Facebook Twitter Youtube

CONTATO

E-mail
 contatoaictv.com.br
Telefone
  +55 21 3874-0012 / 2239-8291

Endereço

 Rua Jardim Botânico, 601 Sobrado
 Jardim Botânico - Rio de Janeiro / RJ
 Cep.: 22.470-050
© 2012 AICtv - Academia Internacional de Cinema e TV | Desenvolvimento: Rivello.net