Dirigindo atores para cinema
Quando na década de 40/50 os produtores cinematográficos americanos buscavam um novo tipo de ator que funcionasse para as filmagens em estúdio lançavam indiretamente as sementes do método actor’s Studio. Atores com uma atuação menos teatral, com uma voz menos empostada e sobretudo uma atuação menos naturalista. O cineasta Elias Kazan em parceria com o ator Lee Strasberg da Cia de Stanislawisky, a atriz Stella Adler e o diretor teatral Peter Brook implementaram os primeiros exercícios para os atores em busca dessa nova forma de interpretar diante das câmeras. Fazendo-os compreender a diferença entre o tempo dramático teatral e o tempo dramático cinematográfico. O primeiro trabalhando com duração do tempo real e o segundo um tempo síntese, fracionado e editado, totalmente construído. O ator teria que compreender que eles não trabalhavam mais para uma boca de cena teatral. Entenderem que a boca de cena em cinema é móvel, muda de posição e de tamanho. E por isso mesmo o ator não deveria atuar para a câmera, mas trabalhar com ela, consciente de sua presença sem incomodar-se com ela. Compreendendo que a atuação em cinema é minimalista, sua voz não precisava mais ser lançada para a última fileira de poltronas do teatro. Que teria de articular com clareza as suas falas, respirar no lugar certo da sentença, modular e pontuar suas falas, mas sempre de forma minimalista, pois os sensíveis microfones poderiam captá-las com perfeição técnica. Preparar-se para um espaço cênico que jamais é completo, que seus diálogos, devido ao corte plano a plano transformam-se em monólogos diante da câmera. E que seus personagens (e seus intérpretes) teriam de acreditar no que vivenciavam. Adicione-se a isso a extrema disciplina que o ator deverá ter ao filmar plano a plano, de forma segmentada e fora da ordem do roteiro, mantendo o ritmo das falas, de sua movimentação, das suas “marcas” e movimentações. Obedecendo assim determinadas regras caras a arte de atuar diante das câmeras, tais como: olhar focado para fora do quadro, não falar sentando ou levantando de uma cadeira, evitando os movimentos bruscos quando em planos cerrados, não olhando jamais dentro da lente da câmera. Esses pequenos apontamentos caracterizam algumas ferramentas do método para atores que desejem trabalhar em cinema, sobretudo quando filmam ou gravam com apenas uma câmera. E os assistentes de direção e os diretores de cinema também devem dominá-los para obterem um bom resultado de seus elencos.
Jorge Monclar – diretor de fotografia