A PROPÓSITO DOS FILMES PARA SERIADOS (I)
A televisão, no mundo inteiro, passou a ser o maior público de filmes cinematográficos e séries. É verdade que a televisão tem como sua maior característica o imediatismo da informação, daí o seu maior sucesso serem os programas de jornalismo e a cobertura dos eventos esportivos. Uma Copa do Mundo de futebol alcança simultaneamente em toda a platéia do planeta com 6 bilhões de espectadores. E em vários países os tele-jornais, durante anos a fio, são líderes de audiência, sobretudo nas matérias sobre grandes catástrofes. Os produtores de cinema para Broadcasting também perceberam a importância e popularidade que vem alcançando os atores que atuam em produtos de ficção serializados. Várias séries cinematográficas de ficção têm também se transformado em filmes de longa-metragem de sucesso nas telonas dos cinemas. Esse tipo de produto audiovisual já tinha mostrado sua força nos anos 40/50 nas salas de cinema. Visando atrair público para as suas cadeias de salas próprias nos dias mais fracos da semana, os produtores criaram filmes serializados entre 15 e 30 minutos para completarem a programação de cada sessão de um filme de longa-metragem. Essa idéia, atingiu em cheio seus objetivos: trouxe para as salas todas as semanas os jovens e adolescentes que passaram a acompanhar os seriados como “O Último dos Moicanos”, “Bat Masterson” e o eterno Tarzan com o campeão de nado John Waissemuller. Porém, para alcançarem um publico ainda mais abrangente foi necessário abordar temas e gêneros que interessassem ao público adulto masculino e feminino. E surgiram as series que são ícones de seus gêneros: “Os Intocáveis” e “Jeannie é um gênio”. Na década de 50/60 com a consolidação das emissoras de televisão surgia um novo espaço de mercado a ser ocupado e as series cinematográficas passaram a preencher os espaços de programação ociosos. O vídeo tape ainda não estava totalmente no ponto deixando ainda mais livre os espaços na grade de programação quase que totalmente apresentadas ao vivo. As velhas series das décadas anteriores, exibidas nas telas de cinema são exibidas agora como programação principal nas telas das emissoras de televisão em todo o mundo. Novas séries são criadas e novos gêneros cinematográficos serializados passam então ser abordados: séries de tribunal, policiais, médicas, terror, comédia, westerns, musicais e por ai afora. Essas séries americanas invadem as telas das emissoras de televisão em todo o mundo, dividindo o espaço cativo dos filmes de longa-metragem. Neste período os produtores começam a sentir também o aumento de mercado para os produtos audiovisuais (longas e series) nas emissoras de canal codificado (a cabo). Um mercado numericamente muito maior do que as salas de cinema em todo o mundo. E, mesmo no mercado interno americano o custo-benefício de uma serie em relação ao filme de longa-metragem se mostrando mais vantajoso financeiramente e um grande mercado de trabalho para artistas e técnicos da atividade cinematográfica. Com espaço para expansão em todo o mundo. Sobretudo nos mercados dos chamados emergentes e do terceiro mundo. Mas o que diferenciam essas séries dos demais produtos audiovisuais de longa-metragem? A conferir no próximo Cinenews da AICTV.
Jorge Monclar – Diretor de Fotografia